30.5.09

Não entende a crise?

Ainda fica boiando quando dizem que o dólar está incrivelmente baixo? Que a Opel foi comprada pela Magna? Pacotes de bilhões de dólares! Demissões globais? Desglobalização! Ações, derivativos, taxa de juros, spread bancário, Warren Buffett? Socorro Obama!

Pois então entenda aqui e agora o começo de tudo isso, o Big Bang da crise internacional.

Como? Apenas pergunte para o geniozinho abaixo...


Revista Exame 31 Dez 08



(Se não der pra ver/entender, avisem)

28.5.09

Cuba duas vezes ilhada



Você bem sabe do embargo econômico que Cuba sofre dos EUA desde 1962, que é criticado por Deus o mundo e tentativas não faltam para acabar com ele. Agora, por cima de tudo (mais explicado adiante), os usuários de Internet da ilha receberam um recado amigável: "Microsoft cortou o Windows Live Messenger IM para os usuários de países embargados pelos Estados Unidos, por isso a Microsoft não oferecerá mais o serviço de Windows Live em seu país".

Não só Cuba, mas Irã, Coréia do Norte, Síria e Sudão também estão na lista negra.

Por isso úm portal de notícias de lá recomenda aos cubanos que usem a conta de email Hotmail e mudem o país de residência, assinalando um dos países "não embargados" pelso Estados Unidos, para possam usar a ferramenta de comunicação.


Achou babaca?


Pois saiba que o embargo econônimo, comercial e financeiro já custou à ilha até 2005, segundo a ONU, mais de 85 bilhões de dólares. Além disso, existem mais umas regras "engraçadas", como a que diz que é proibido empresas de terceiros países a exportação para os Estados Unidos de qualquer produto que contenha alguma matéria-prima cubana (A França não pode exportar para os Estados Unidos uma geléia que contenha açúcar cubano) ou que vendam a Cuba bens ou serviços nos quais seja utilizada tecnologia estadunidense.



Contraditório


Apesar disso, é importante notar que nem todo comércio entre Estados Unidos e Cuba está proibido. Desde 2000 foi autorizada a exportação de alimentos (como trigo, arroz e frango) dos Estados Unidos para Cuba. Esse mercado "invisível" move U$800 bi anualmente e corresponde a um terço de todas as calorias ingeridas lá. Sem contar a ajuda humanitária, de envio gratuito. De 1992 a 1999, os Estados Unidos enviaram mais ajuda humanitária a Cuba que todos os então quinze membros da União Européia e a América Latina. Em casos de tragédias, como o furacão Michelle, os Estados Unidos também enviaram ajuda humanitária.


Obama na área


As restrições já começaram a ser afrouxadas. Acordos de meados de abril que ainda não têm data para vigorar foram aprovados por Obama, que dão tchau ao limite de viagens de cubanos residentes nos EUA e ao dinheiro enviado para a ilha por parentes (antes só podia 1 viagem ao ano e US$ 1 bi ao ano). Além disso seria liberado o envio de roupas e remédios, o acesso à comunicação seria facilitado (empresas dos EUA poderiam levar telefonia celular, canais de Tv e computadores para lá). Segundo a Casa Branca, as decisões tornariam o povo menos dependente do regime socialista, mas que seriam necessárias eleições democráticas e o respeito de direitos humanos.


Alguns poréns


Muito romântica essa história de liberar geral pra Cuba. De fato as mudanças seriam ótimas. Mas não são tão simples.

Exemplo: abrir a Baia de Guantánamo para o livre comércio com Cuba (a área é desde 1903 uma base naval norte-americana), resultando numa melhoria de vida para o povo de lá, com aberturas de fábricas e o direito de comprar o que eles compram, mas mais barato. O problema não é nem devolver Guantánamo para os cubanos, mas para os Castros. Porque o poder deles na ilha é absurdo: o governo pega 20 centavos por dólar em comissões, então qualquer aumento no poder de compra do povo resultaria em mais dinheiro para o regime. Ou seja, enquanto o país tem o total monopólio, todos os livre comércio apenas manteria o precário sistema comunista. Afinal, que mais se espera de um país em que sabonete é artigo de luxo, lojas privadas foram fechadas desde a déc de 60, emprego independente e empregar uns ao outros é proibido? Só o governo controla o negócio: mais de 90% dos cubanos são pagos por ele (eu fico imaginando quem não é) e ganham em torno de 12 dólares de salário, além de serem dependente do racionamento alimentar.


Portanto, qualquer ação deve ser meticulosamente arranjada para que não seja um tiro pela culatra - não adianta levantar o embargo sem ter pressionado pela democratização da ilha. Será que depois então a barreira possa ser derrubada assim como o Muro de Berlim, e dar certo como deu na Alemanha? Será que Fidel aceitará os termos dos EUA? Os cubanos terão então uma vida menos alienada (tudo bem, nada se compara com a Coréia do Norte, mas enfim)? Tomara.


Isso, ha, nem novela mexicada conta melhor.


E você, que tem a dizer sobre isso?



Fontes: UOL Notícias, Wikipedia, revista Newsweek de 20 de abril


27.5.09

O perigo do teto cair

Imagine que o Obama morresse hoje. A esperança de milhares escorrendo pelo ralo, seu líder carismático nunca mais. Agora transporte a imagem para um velhinho de 74, olhos puxados, vencedor de um prêmio Nobel da Paz e comumente chamado de Dalai Lama (ou ainda Tenzin Gyatso). Pois é, lá no topo do mundo a preocupação é constante: que acontecerá com o Tibete se seu principal emblema for embora?
História
Mas primeiro, entender o que se sucede lá. Meio que desde o século 3, quando o budismo chegou, aquela área era tinha autonomia, com suas próprias etnias, costumes, etc e com boas relações diplomáticas com a China. Mas apareceu uma grande ameaça: Gêngis Khan, o guerreiro mongol que já havia dominado grande parte da Ásia central. Aí o Tibete pediu ajuda aos antigos aliados da China. Em troca de proteção, concordou em tornar o Tibete uma região administrativa sob a jurisdição do governo chinês, ou seja, a incorporação do país. É por essas e outras que, para Pequim, o Tibete é parte da China desde o século 13 e ponto.




Essa situação só foi interrompida em 1912, quando a revolução republicana chinesa pôs fim ao império. Na ocasião, os tibetanos aproveitaram a confusão para expulsar os chineses e declararam a independência. Até a China de Mao Tsé Tung invadir a área em 1950, com uma força militar muito maior. Tenzin Gyatso tinha 15 anos e foi forçado a assinar, em 1951, o acordo que abria mão da soberania do país desde que a China respeitasse os direitos e a liberdade de culto. Isso não aconteceu e os tibetanos se rebelaram em março de 1959. Lhasa, a sede da revolta, foi rapidamente arrasada, e o dalai lama novamente teve de fugir. Dessa vez para Dharamsala, na Índia, onde ele e seus apoiadores fundaram o governo tibetano no exílio.
Tanto o Dalai Lama viajou e pregou que hoje há centro tibetanos no mundo inteiro e ainda ganhou o Nobel da Paz em 89. Também foi o ano em que a causa da independência do Tibete ficou conhecida no Ocidente, após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial. Ele já fundou 53 assentamentos agrícolas de larga escala para acolher os refugiados, idealizou um sistema educacional autônomo – existem hoje mais de 80 escolas tibetanas na Índia e no Nepal – para oferecer às crianças pleno conhecimento de sua língua, história, religião e cultura, além de já ter elaborado uma Constituição democrática para um Tibete livre.Os exilados são em 130 mil; cerca de 6 milhões de tibetanos vivem no Tibete e na China.

* E por que mesmo a China quer tanto o Tibete?
1. Interesse geográfico: o Tibete faz fronteira com a Índia e a proximidade ajuda a China a ficar de olho no vizinho, que vira-e-mexe ameaça invadir a região.
2. Interesse econômico: o Tibete é um pedaço de terra rico em recursos naturais, como madeira e metais - ouro, zinco, cobre, urânio, manganês (reservas suficientes para até 20% necessidade da China)
3. Interesse político: ao garantir a unidade territorial com mão de ferro, os chineses procuram evitar o colapso que desmembrou a ex-União Soviética, repartida em 14 repúblicas
com o fim do socialismo.

Influência chinesa: em Lhasa, capital da região, menos de 25% dos 300.000 habitantes são tibetanos. Os chineses ocupam praticamente todos os cargos públicos e os empregos mais importantes, como professores, bancários e policiais. Estima-se que 1 milhão de tibetanos já tenham morrido nas mãos do Exército chinês.


No fim do ano passado, o governo chinês mais uma vez rejeitou a proposta do Dalai Lama de uma reaproximação que renderia maior autonomia para o Tibete. Nos últimos dias, tropas chinesas invadiram milhares de casas e detiveram pelo menos 81 ativistas antes do 50º aniversário, em março, da revolta fracassada que forçou o Dalai Lama a se exilar na Índia. A China parece inclinada a aumentar o aperto e esperar pelo idoso líder, insistindo, de maneira um pouco improvável para um governo oficialmente ateísta, que tem o direito legal de designar a próxima reencarnação do Dalai Lama.

Os chineses insistem que seu exército libertou os tibetanos da escravidão teocrática e que o Tibete é inseparável da China. Em 1995, o governo chinês rejeitou a escolha do Dalai Lama de um menino de seis anos como reencarnação do Panchen Lama, um líder espiritual no SECT dominante do Budismo Tibetano, e então indicou outro. A criança escolhida pelo Dalai Lama desapareceu sob custódia chinesa. O que é estranho, considerando que os comunistas chineses não acreditam em vidas passadas ou futuras e que é ilegal propagar religião na China.

Sucessão
Mas enfim, com os conflitos com a China ou não, a necessidade de ter um sucessor é presente. Mais do que declarar independência territorial, a prioridade do Dalai Lama atualmente é cuidar para que sua civilizacão seja mantida, sua liberdade de culta e a língua tibetana. Mas se este poderoso símbolo unificador morre e seu sucessor é jovem, inexperiente e sem influência, os tibetanos perderiam a atenção no exterior e poderiam se tornar apenas mais um dos povos sem terra do mundo, perdidos à sombra de uma superpotência em ascensão.
Outro ponto: geralmente, quando o Dalai Lama morre, a corte real indica um regente, que governa até que a próxima reencarnação tenha idade suficiente (o dalai lama seguinte é escolhido por tradições religiosas, com sinas e mensagens divinas). Ao longo dos séculos, alguns regentes gostaram muito de seu poder e alguns Dalai Lamas faleceram prematuramente, para não dizer suspeitosamente. O sentido da regência como um período de risco ainda persiste.
Por isso é possível que haja uma mudança nos planos. Tenzin disse que está refletindo sobre reinventar a prática histórica e cultural e escolher sua reencarnação antes de sua morte, o melhor para salvaguardar seu povo exilado. Ou ainda outra opção: talvez as quatro seitas que constituem o Budismo Tibetano possam formar uma versão tibetana do Colégio Católico Romano de Cardeais e escolher um sucessor. Talvez ele volte como uma menina, ou como um não-tibetano. Desde que ele volte, tão ou mais importante quanto o atual Dalai, para o bem do teto do mundo.

E você, que tem a dizer sobre isso?

26.5.09

Abortolice?

Ao contrário do Brasil, o aborto é legalizado na África do Sul desde 1996, além de gratuito para os que não podem e para os que podem, há centenas de clínicas privadas, para algo mais rápido e confortável. Qualquer um pode pegar pílulas e camisinhas nos hospitais e clínicas. Há ainda a ONG Marie Stopes SA, que oferece informações e serviços sobre saúde e sexo e que ano passado realizou 36 mil abortos (dentre os 60 mil feitos pelo governo). Lindo, não? Não. Apesar de tudo isso, o número de abortos só aumentou, e a indústria clandestina continua lucrando.

Sério?
Aham. O maior caso foi na província de Gauten, onde fica Joahannesburgo, o número aumentou em 200% ( 13.505 em 1996 para 36845 em 2004). E ainda há as centenas de mulheres que saem dos países vizinhos onde é o caso é crime, como Zimbábue e Namíbia, vão para a Áf. do Sul e sabe-se lá Deus se aproveitam as boas opções oferecidas.

Por quê?
Laila Abbas, porta-voz nacional da Marie Stopes, explica alguns motivos: "Temos grandes cidades, mas a maior parte do país é rural. As pessoas moram distante e não têm instrução. Essas áreas concentram abusos sexuais de todos os tipos e negligência na saúde. Os pacientes são relapsos, não dão continuidade ao tratamento e não se previnem."

E aí...?
... que se elas não utilizam os recursos que o governo e a ONG oferecem, ou elas têm de fato o filho (o que muitas desistem, pela precária situação financeira) ou apelam para as indústrias clandestinas, totalmente despreparadas e mais baratas - e ainda o que pode ser pior, se jogam de escadas, introduzem objetos para atingir o bebê e acabam perfurando outros órgãos.

Em números, please
  • 40% dos 50 milhões de abortos no mundo são sem condições de segurança (15 a 24 anos).
  • Na África [58% dos abortos clandestinos mundiais] e América Latina [17% ], 95% dos abortos são realizados em condições precárias.
  • Por ano, 70 mil mulheres morrem fazendo abortos, e 5 milhões sofrem algum problema durante a cirurgia.

Patético
Pois na África do Sul, a interrupção é relativamente prática: dependendo do tempo de gravidez, as mulheres tomam de duas a seis pílulas abortivas que determinam o início do processo cirúrgico, que dura uns 5 minutos. Quatro horas dura entre as salas de espera, cirúrgica e de repouso. Depois, todas estão liberadas. Preço: entre 2.420 rands (R$ 590) e 3.430 rands (R$ 835).

Comparando com o Brasil
A taxa de natalidade sul-africana está em 2,6 filhos por mulher, bem próxima da brasileira, que é de 2,3 filhos. Todos os anos, 1,5 milhão de mulheres correm risco de morte por aborto inseguro, o que dá 2,07 abortos induzidos por 100 mulheres. A prática é a terceira causa de mortalidade materna no país e as complicações decorrentes, o quinto motivo pelas internações nos serviços públicos.
E o que apontou hoje a Fundação Seade contradiz: em 10 anos, o número de adolescentes paulistas que ficaram grávidas pela segunda vez caiu 48%, enquanto que as taxas de primeira gravidez caíram 34%. (segundo a OMS, as chances de uma garota voltar a engravidar em até três anos após uma primeira gestação na adolescência são de 40%).

Conclusão
Oras, estranho isso não; que no país em que há a legalização o aborto tenha aumentado e onde os trâmites no Congresso estão emperrados, diminuiu. Será então que os a favor da legalização estão errados, na medida em que defendem que se as brasileiras pudessem interromper a gravidez, o serviço público poderia oferecer o procedimento de forma segura, acabando com os“açougues”? Essas organizações argumentam ainda que despenalizar o aborto não aumentaria o número de casos, o que - cof cof - não aconteceu na África do Sul. (Só resta saber - e esta eu devo para vocês - se nos outros 30 países onde é legal, como Canadá, França, Irã, Camboja, Etiópia e México, tal fato se repetiu). Vale a pena mesmo ser do grupo dos "pró-vida"?
Agora, minha opinião. Óbvio que sou contra o aborto, ninguém no mundo merece pensar na possibilidade de matar uma mini-criatura sua chamado de filho. Mas ao mesmo tempo, o nosso mundo não é o ideal, e as nossas decisões precisam respeitar isso. Se uma mãe não tem a capacidade financeira ou mental de cuidar de um indivíduo que formará a futura geração, que à ela seja dada a opção de interromper o que pode ser mais um fardo. Só a legalização, porém, não salva nem meia dúzia de 15 aninhos por aí.
O que é mais necessário e investir em camisinha e pílulas gratuitas, programas de orientação sexual em escolas públicas e privadas, clínicas regionais para informação e exames, abordagem do tema por meios populares (como a novela ou a Ana Maria Braga) e por aí vai.
É claro que isso não resolve todos os casos - esse ano mesmo uma menina de 16 anos do meu corredor teve sua filha e presumo que esteja muito feliz com ela agora. Se ela teve a a alternativa de tê-la, porque não ter a de não ter? O peso na consciência será de cada uma, cabe ao Estado e outras instituições oferecer as condições mínimas para tal escolha.

Fontes: G1 Notícias, Gazeta On-line e Realiza News.

Quer matutar mais a respeito? Leia Uma distância entre nós, de Thrity Umrigar (romance focado em contrastes sociais na Índia, dá um real panorama das favelas e expõe conflitos que todos poderemos enfrentar um dia).


E você, que tem a dizer sobre isso?
(Leia-se: deixe um comentário!)

25.5.09

Na mira de Pyongyang

Pode parecer incrível, mas o mesmo país que há mais de um mês lançou um controverso "satélite" em órbita (porque para o resto do mundo é um míssil teleguiado) e que hoje declarou ter realizado com sucesso seu segundo teste nuclear, tem seus segredos desvendados por um bando de pesquisadores e o Google Earth.


Foto: Manifestantes sul-coreanos queimam cartazes com a bandeira da Coreia do Norte e fotos do líder Kim Jong-il, durante protesto em Seul

Como assim? Primeiro temos que entender a situação: o país desde 1998 compra briga com a comunidade internacional no quesito "armas nucleares", se retirando do Tratado de Não-Ploriferação Nuclear, lançando mísseis (ou tentativas) de longo alcance, testa bombas atômicas e no meio de tudo, em reuniões por pedidos internacionais para desmantelar todo o esquema. Acabou que está sendo condenado pela ONU por ter violado resoluções do Conselho de Segurança de 2006, em que ele teria que suspender programa de mísseis balísticos e ainda teria sanções econômicas (o que pode ser ainda reforçado com encontros hoje do CS).

Confira o que uma entrevista do UOL Notícias com Christoph Bluth, especialista em política militar nuclear da Universidade de Leeds, na Inglaterra, tem a dizer:

Os testes norte-coreanos ainda não deixam o mundo na iminência de uma guerra nuclear, mas não podemos desprezá-los. Entretanto, o principal motivo das constantes demonstrações de poder do governo Kim Jong-il seria aumentar à força o poder de barganha do país, já que a principal fonte de riquezas da Coreia do Norte ainda consiste nas ajudas internacionais.
O atual sistema econômico e social da Coreia do Norte não é viável e o que o governo está tentando fazer é extorquir apoio da comunidade internacional, que tem interesse em acabar com o programa nuclear dos norte-coreanos. O governo de Pyongyang teve sucesso com essa política há algum tempo com os diálogos de seis lados (negociações envolvendo as duas Coréias, Estados Unidos, Rússia, China e Japão) quando um reator de plutônio foi destruído. Então, o lançamento do míssil em abril e esse teste nuclear que acabou de acontecer são demonstrações do poder militar da Coreia do Norte, para que o país tenha maior poder de barganha quando as negociações ocorrerem.
Só que eles querem mudar o acordo atual. Hoje, o diálogo prevê vistoria de todas as instalações nucleares e a destruição de todo o plutônio enriquecido em troca de benefícios econômicos e da normalização das relações da Coreia do Norte com os Estados Unidos. O que eles querem agora é serem reconhecidos como uma potência nuclear, e Barack Obama não pretende fazer isso.
Porém, o risco é que, se nada for feito, eventualmente a Coreia do Norte consiga armas nucleares que atinjam os Estados Unidos, que devem agir antes que os norte-coreanos tenham a capacidade de atingir um alvo do outro lado do oceano.

Entónces, que tem tudo isso a ver com o que disse lá no primeiro parágrafo? Acredite e verá, porque sim, meia dúzia de pesquisadores mais Curtis Melvin, doutorando na Universidade George Mason de Virginia, trabalharam por dois anos para juntar um dossiê básico da Coréia do Norte, uma "espionagem democrática". Eles sabem, por exemplo, palácios paradisíacos do ditador Kim Yong Il, a casa dele, coordenadas exatas dos testes nucleares de hoje, locais de lançamento de foguetes, prisões, diques, faróis e muito, muito mais ( é o trabalho North Korea Uncovered). Graças a fotos, relatórios e testemunhas oculares, eles identificavam paisagens e construções do país pelo Google Earth e acabaram por se infiltrar num dos países mais hermeticamente fechados do globo.

Foto: Será esta uma trilha que perfura as montanhas uma futura base aérea? Atualmente a largura é bem mais do que necessário para carros, mas não chega a grandes aviões.

O mais interessante, porém, é perceber como a Internet teve um papel tão importante, sendo tão simples quanto um click. Além disso, se a CN publicasse livremente suas informações, ninguém estaria agora brincando de "detetive". Curioso é que nem todo mundo tem essa capacidade (ou melhor, possibilidade): dentro do país, uma hora de Internet em Cafés custa mais de 15 reais, enquanto que a média de salário é de 70 reais e ditadores ficam por aí com resorts em praias afrodisíacas.

* As fontes são os sites linkados acima - que têm resumos bacanas (principalmente no da entrevista), fotos impressionantes e informações extras interessantíssimas - vale a pena conferir.

E você, que tem a dizer sobre isso?














24.5.09

Quando o Demônio matou o Anjo

Quem é o Anjo? O livro de Dan Brown. O Demônio? Ron Howard, realizador do filme.
Pode parecer uma posição extremista essa minha; afinal o filme é de ação, estrela Tom Hanks, é gravado em Roma e no Vaticano, explora temas como a anti-matéria e o debate Igreja x Ciência e surpreende quanto aos fatos - enfim, um bom filme à primeira vista.
Mas nada comparado ao livro. Claro, é sempre a mesma história, "o livro é bem melhor", já que nunca é possível reproduzir fielmente uma história escrita, longa e intricada a duas horas e meia no cinema. Mas desta vez, a adaptação do livro mandou pro ar qualquer noção de bom senso e indigna o best-seller que, para mim, supera em anos-luz o outro sucesso de Dan Brown, Código da Vinci, que vendeu mais 70 milhões de exemplares.

Por que estaria eu tão revoltada? Por uma razão: sem motivo (aparente) algum, os produtores do filme resolveram mudar quase por completo a história. Só para não lotar aqui de spoilers (que me arruinam quando leio sem atenção), dou exemplos gerais: pessoas que no livro morrem, sobrevivem no filme, outros personagens são inventados sem necessidade no long-metragem, pontos centrais são ignorados e claro, o fim é totalmente diferente.
Não bastava arrebentar o universo que Brown de um modo tão inteligente criou, o filme perde o foco no ponto mais essencial do livro. A intensa discussão entre o papel da Igreja e da Ciência como respostas para nossas questões metafísicas (do tipo "como surgiu o mundo?" ou "Deus existe?") é total e rudemente rebaixada. Ok, é claro que é explorada a certo nível, mas você sai do cinema sem nenhuma lição de moral (sim, ela existe no livro) e sem ter expandido seus argumentos sobre o tema. Eu mesma, enquanto lia, não acreditava na capacidade do autor de mostrar vários pontos de vista, revelar histórias de fundo impressionantes e conciliar tudo isso a uma busca contra o tempo para salvar o Vaticano de uma explosão de antimatéria e desvendar os enigmas dos Illuminati. É, acima de tudo, de tirar o fôlego.

Quem dera não tivesse sido como no caso de Ensaio sobre a cegueira, em que, na minha opinião, o filme foi tão impactante quanto a belíssima obra de José Saramago. Fernando Meirelles conseguiu captar a essência e de modo interessantíssimo transportou uma história de cegos a um meio visual. Até mesmo Desventuras em Série, agora num plano mais infanto-juvenil, que no filme junta os primeiros três livros, não exagera tanto na invenção da parte dos produtores do filme. Podemos ainda mencionar Harry Potter, na medida em que os produtores (pra mim nem tão satisfatoriamente) adaptaram os livros aos filmes, e foram "obrigados" a cortar partes e remodelar outras. Mas faz parte dessa indústria e nunca é possível agradar a todos. O xis da questão, de por que o caso Anjos e Demônios se sobrepõe no absurdo, é que foi simplesmente desnecessário. Custava manter a fantástica trama do autor, que te prende às páginas e é uma surpresa atrás da outra?

Mais perguntas permanecem no ar. Como Dan Brown "permitiu" isso? Quero dizer, ele certamente vendeu os direitos do livro, e certamente sabia que haveria tantas modificações (aposto que estavam nas palavras miúdas), mas ainda assim: até tu, Brown? E outra: será que vai acontecer o mesmo que o novo livro dele "The Lost Symbol", previsão em inglês para setembro, que será a continuação do Código?

Quanto a isso, não posso estar segura. Mas quanto aos fatos, não posso evitar um sorriso torto: A estreia de «Anjos e Demónios» nos EUA, o sucessor de «O Código Da Vinci», ficou abaixo das expectativas, apesar de ter registado 48 milhões de dólares no passado fim-de-semana, um valor pouco mais alto que o arrecadado por «Star Trek» na sua segunda semana em cartaz. O filme, que reúne novamente Tom Hanks e o realizador Ron Howard, facturou 104,3 milhões de dólares a nível mundial, o 10º maior valor obtido por uma estreia fora do mercado norte- americano, mas ficou longe dos 60 milhões de dólares esperados pelos estúdios Sony nos EUA.

Resumo da ópera: vale MUITO a pena ler o livro e vale também ver o filme. Afinal, não é todo mundo que pensa que nem eu. E formar opiniões, quem dera que quase tudo, é essencial. Para quem leu, algo interessante, no site oficial do autor. E ainda entrevista da Globo com Tom Hanks:

E você, que tem a dizer sobre isso?

Lula pela terceira vez?

Absolutamente não. E nem é porque eu aprovo ou detesto ele (opinião ainda em formação), mas um sistema democrático requer rotação de poder, variação no jeito como a gestão é cumprida. Mais quatro anos pode significar tanto a manutenção de uma situação confortável quanto a perda da chance de alguém melhor entrar no poder. De qualquer modo, voto não pelo o que Jackson Barreto quer. Imagina acabarmos como a Venezuela, com um Chávez inacabável?

Saiba mais!

E você, que tem a dizer sobre isso?

Prefácio

O que alguém desocupado como você estaria fazendo lendo estas linhas aqui? Não sei. Mas se está, be welcome. Isso aqui tem para mim um título mas experimental e, nos meus tenros anos e vontade de me tornar jornalista, quem sabe sirva como uma experiência positiva.
O que estará escrito aqui? Who knows. Acredito que mais do que qualquer outra coisa, notícias relevantes com um breve comentário meu. Sim, porque notícias são úteis e não cansam, como muitos teimam em contradizer. O truque é descobrir que torna-se fácil e prazeroso acompanhá-las e, mais do que qualquer coisa, abrem seus olhos para o mundo.
À parte disso, poderá aparecer ocasionalmente textos meus, viajados ou reais. Porque todo louco tem sua mania, e (uma das minhas) é tentar de vez em quando transportar o que está na minha cinza e rugosa massa cefálica para o papel.

Saudações,
Marcarana