Sério?
Aham. O maior caso foi na província de Gauten, onde fica Joahannesburgo, o número aumentou em 200% ( 13.505 em 1996 para 36845 em 2004). E ainda há as centenas de mulheres que saem dos países vizinhos onde é o caso é crime, como Zimbábue e Namíbia, vão para a Áf. do Sul e sabe-se lá Deus se aproveitam as boas opções oferecidas.
Por quê?
Laila Abbas, porta-voz nacional da Marie Stopes, explica alguns motivos: "Temos grandes cidades, mas a maior parte do país é rural. As pessoas moram distante e não têm instrução. Essas áreas concentram abusos sexuais de todos os tipos e negligência na saúde. Os pacientes são relapsos, não dão continuidade ao tratamento e não se previnem."
E aí...?
... que se elas não utilizam os recursos que o governo e a ONG oferecem, ou elas têm de fato o filho (o que muitas desistem, pela precária situação financeira) ou apelam para as indústrias clandestinas, totalmente despreparadas e mais baratas - e ainda o que pode ser pior, se jogam de escadas, introduzem objetos para atingir o bebê e acabam perfurando outros órgãos.
Em números, please
- 40% dos 50 milhões de abortos no mundo são sem condições de segurança (15 a 24 anos).
- Na África [58% dos abortos clandestinos mundiais] e América Latina [17% ], 95% dos abortos são realizados em condições precárias.
- Por ano, 70 mil mulheres morrem fazendo abortos, e 5 milhões sofrem algum problema durante a cirurgia.
Patético
Pois na África do Sul, a interrupção é relativamente prática: dependendo do tempo de gravidez, as mulheres tomam de duas a seis pílulas abortivas que determinam o início do processo cirúrgico, que dura uns 5 minutos. Quatro horas dura entre as salas de espera, cirúrgica e de repouso. Depois, todas estão liberadas. Preço: entre 2.420 rands (R$ 590) e 3.430 rands (R$ 835).
Comparando com o Brasil
A taxa de natalidade sul-africana está em 2,6 filhos por mulher, bem próxima da brasileira, que é de 2,3 filhos. Todos os anos, 1,5 milhão de mulheres correm risco de morte por aborto inseguro, o que dá 2,07 abortos induzidos por 100 mulheres. A prática é a terceira causa de mortalidade materna no país e as complicações decorrentes, o quinto motivo pelas internações nos serviços públicos.
E o que apontou hoje a Fundação Seade contradiz: em 10 anos, o número de adolescentes paulistas que ficaram grávidas pela segunda vez caiu 48%, enquanto que as taxas de primeira gravidez caíram 34%. (segundo a OMS, as chances de uma garota voltar a engravidar em até três anos após uma primeira gestação na adolescência são de 40%).
Conclusão
Oras, estranho isso não; que no país em que há a legalização o aborto tenha aumentado e onde os trâmites no Congresso estão emperrados, diminuiu. Será então que os a favor da legalização estão errados, na medida em que defendem que se as brasileiras pudessem interromper a gravidez, o serviço público poderia oferecer o procedimento de forma segura, acabando com os“açougues”? Essas organizações argumentam ainda que despenalizar o aborto não aumentaria o número de casos, o que - cof cof - não aconteceu na África do Sul. (Só resta saber - e esta eu devo para vocês - se nos outros 30 países onde é legal, como Canadá, França, Irã, Camboja, Etiópia e México, tal fato se repetiu). Vale a pena mesmo ser do grupo dos "pró-vida"?
Agora, minha opinião. Óbvio que sou contra o aborto, ninguém no mundo merece pensar na possibilidade de matar uma mini-criatura sua chamado de filho. Mas ao mesmo tempo, o nosso mundo não é o ideal, e as nossas decisões precisam respeitar isso. Se uma mãe não tem a capacidade financeira ou mental de cuidar de um indivíduo que formará a futura geração, que à ela seja dada a opção de interromper o que pode ser mais um fardo. Só a legalização, porém, não salva nem meia dúzia de 15 aninhos por aí.
O que é mais necessário e investir em camisinha e pílulas gratuitas, programas de orientação sexual em escolas públicas e privadas, clínicas regionais para informação e exames, abordagem do tema por meios populares (como a novela ou a Ana Maria Braga) e por aí vai.
É claro que isso não resolve todos os casos - esse ano mesmo uma menina de 16 anos do meu corredor teve sua filha e presumo que esteja muito feliz com ela agora. Se ela teve a a alternativa de tê-la, porque não ter a de não ter? O peso na consciência será de cada uma, cabe ao Estado e outras instituições oferecer as condições mínimas para tal escolha.
Fontes: G1 Notícias, Gazeta On-line e Realiza News.
Quer matutar mais a respeito? Leia Uma distância entre nós, de Thrity Umrigar (romance focado em contrastes sociais na Índia, dá um real panorama das favelas e expõe conflitos que todos poderemos enfrentar um dia).
E você, que tem a dizer sobre isso?
(Leia-se: deixe um comentário!)

Oi, Ana,
ResponderExcluirAdorei o seu blog, você coloca as informações de uma forma muito inteligente e seus comentários são bem sacados.
Realmente não temos tempo de ler acerca de todas as notícias constantes dos jornais impressos ou virtuais; atentamos apenas para os títulos e portanto sabemos que algo está sendo falado sobre o assunto mas não mais profundamento o tema.
Eu realmente não sabia sobre essa questão do aborto. Interessantíssimo saber que assim como a pena de morte, ou a legalização das drogas, a permissão para o aborto pode "funcionar" exatamente ao contrário do objetivo que imaginamos.
Por esse motivo, opinar sobre questões tão complexas e que envolvem problemas tão pessoais e arraigados em nossa sociedade não pode ser feito de forma leviana.
Também curti saber sobre o avanço do Google Earth em informações sobre a Coréia do Norte (é um absurdo o que acontece lá!).
E na minha opinião você está absolutamente correta na afirmação sobre o Lula. A sua colocação é a que importa. Queremos aqui uma nova ditadura? Tenho certeza que não!!!!!
Vou deixar para comentar sobre Anjos e Demônios depois, preciso pensar sobre o que escreveu... sinceramente não me lembro muito bem do livro (leio muito rápido e os detalhes se perdem) e preciso de mais informações para falar.
Um beijo e boa sorte nessa sua interessantíssima empreitada.
Alê
Só uma palavra: obrigada! Bjs
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