25.5.09

Na mira de Pyongyang

Pode parecer incrível, mas o mesmo país que há mais de um mês lançou um controverso "satélite" em órbita (porque para o resto do mundo é um míssil teleguiado) e que hoje declarou ter realizado com sucesso seu segundo teste nuclear, tem seus segredos desvendados por um bando de pesquisadores e o Google Earth.


Foto: Manifestantes sul-coreanos queimam cartazes com a bandeira da Coreia do Norte e fotos do líder Kim Jong-il, durante protesto em Seul

Como assim? Primeiro temos que entender a situação: o país desde 1998 compra briga com a comunidade internacional no quesito "armas nucleares", se retirando do Tratado de Não-Ploriferação Nuclear, lançando mísseis (ou tentativas) de longo alcance, testa bombas atômicas e no meio de tudo, em reuniões por pedidos internacionais para desmantelar todo o esquema. Acabou que está sendo condenado pela ONU por ter violado resoluções do Conselho de Segurança de 2006, em que ele teria que suspender programa de mísseis balísticos e ainda teria sanções econômicas (o que pode ser ainda reforçado com encontros hoje do CS).

Confira o que uma entrevista do UOL Notícias com Christoph Bluth, especialista em política militar nuclear da Universidade de Leeds, na Inglaterra, tem a dizer:

Os testes norte-coreanos ainda não deixam o mundo na iminência de uma guerra nuclear, mas não podemos desprezá-los. Entretanto, o principal motivo das constantes demonstrações de poder do governo Kim Jong-il seria aumentar à força o poder de barganha do país, já que a principal fonte de riquezas da Coreia do Norte ainda consiste nas ajudas internacionais.
O atual sistema econômico e social da Coreia do Norte não é viável e o que o governo está tentando fazer é extorquir apoio da comunidade internacional, que tem interesse em acabar com o programa nuclear dos norte-coreanos. O governo de Pyongyang teve sucesso com essa política há algum tempo com os diálogos de seis lados (negociações envolvendo as duas Coréias, Estados Unidos, Rússia, China e Japão) quando um reator de plutônio foi destruído. Então, o lançamento do míssil em abril e esse teste nuclear que acabou de acontecer são demonstrações do poder militar da Coreia do Norte, para que o país tenha maior poder de barganha quando as negociações ocorrerem.
Só que eles querem mudar o acordo atual. Hoje, o diálogo prevê vistoria de todas as instalações nucleares e a destruição de todo o plutônio enriquecido em troca de benefícios econômicos e da normalização das relações da Coreia do Norte com os Estados Unidos. O que eles querem agora é serem reconhecidos como uma potência nuclear, e Barack Obama não pretende fazer isso.
Porém, o risco é que, se nada for feito, eventualmente a Coreia do Norte consiga armas nucleares que atinjam os Estados Unidos, que devem agir antes que os norte-coreanos tenham a capacidade de atingir um alvo do outro lado do oceano.

Entónces, que tem tudo isso a ver com o que disse lá no primeiro parágrafo? Acredite e verá, porque sim, meia dúzia de pesquisadores mais Curtis Melvin, doutorando na Universidade George Mason de Virginia, trabalharam por dois anos para juntar um dossiê básico da Coréia do Norte, uma "espionagem democrática". Eles sabem, por exemplo, palácios paradisíacos do ditador Kim Yong Il, a casa dele, coordenadas exatas dos testes nucleares de hoje, locais de lançamento de foguetes, prisões, diques, faróis e muito, muito mais ( é o trabalho North Korea Uncovered). Graças a fotos, relatórios e testemunhas oculares, eles identificavam paisagens e construções do país pelo Google Earth e acabaram por se infiltrar num dos países mais hermeticamente fechados do globo.

Foto: Será esta uma trilha que perfura as montanhas uma futura base aérea? Atualmente a largura é bem mais do que necessário para carros, mas não chega a grandes aviões.

O mais interessante, porém, é perceber como a Internet teve um papel tão importante, sendo tão simples quanto um click. Além disso, se a CN publicasse livremente suas informações, ninguém estaria agora brincando de "detetive". Curioso é que nem todo mundo tem essa capacidade (ou melhor, possibilidade): dentro do país, uma hora de Internet em Cafés custa mais de 15 reais, enquanto que a média de salário é de 70 reais e ditadores ficam por aí com resorts em praias afrodisíacas.

* As fontes são os sites linkados acima - que têm resumos bacanas (principalmente no da entrevista), fotos impressionantes e informações extras interessantíssimas - vale a pena conferir.

E você, que tem a dizer sobre isso?














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