30.6.09

Viva o placar

O quanto o brasileiro já pagou de tributos até agora em 2009 - um número infinito.



Foi publicado hoje o trabalho "Receita Pública: Quem paga e como se gasta no Brasil" do Ipea (Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada), órgão do governo federal. Sua conclusão é aterradora: quem é mais pobre no Brasil trabalha quase o dobro do que os mais ricos para pagas seus impostos e no fim, se usa mais do recolhido para pagar aposentadorias de servidores do governo que com educação ou saúde.

Nos miúdos


A população que recebe até 2 SM trabalha cerca de 197 dias do ano para o pagamento de tributos, enquanto que os com mais de 30 SM "somente" 106 dias.

Isso mostra que a distribuição do ônus tributário é de fato heterogênea, uma vez que desrespeita o princípio da capacidade contributiva, ou seja, o menor esforço para os com menor capacidade econômica.


Ainda um outro exemplo: a carga tributária bruta subiu de 32,8% da renda em 2004 para 36,2% em 2008, de um modo geral. Mais especificamente os pobres, entre 2004 e 2007, comprometeram de 48,8% para 53,9% de tudo que ganhavam com impostos, ou seja, uma subida de 5 pontos percentuais. Por outro lado, para os mais ricos a diferença foi de 2,7% (de 26,3% para 29%).



Faixa de renda CT 2004 CT 2008

até 2 mínimos 48,8% 53,9%
2 a 3 mínimos 38% 41,9%
3 a 5 mínimos 33,9% 37,4%
5 a 6 mínimos 32% 35,3%
6 a 8 mínimos 31,7% 35%
8 a 10 mínimos 31,7% 35%
10 a 15 mínimos 30,5% 33,7%
15 a 20 mínimos 28,4% 31,3%
20 a 30 mínimos 28,7% 31,7%
mais de 30 mínimos 26,3% 29%

Total 32,8% 36,2%



Depois da peneira

Além disso, o trabalho também mostrou o destino dos imposto arrecados.

A maior parte vai para pagar os juros da dívida da União, Estados e municípios, ou seja, 20,5 dias dos brasileiros no ano passado. Outro 1,4 dia foi para o Bolsa Família; 16,5 para aposentadorias e pensões urbanas e mais 6,9 para aposentadorias dos servidores dos três poderes - menos do que os gastos com Educação e Saúde.


Detalhe


Do total de R$ 808,6 bilhões em impostos, taxas e contribuições recolhidos em 2006, o Ipea pinçou R$ 378 bilhões para fazer seus cálculos, alegando que somente esse montante foi considerado "por sua incidência (direta) sobre a renda dos proprietários e não proprietários".


Minha visão


E pensar que estudando história para a prova do colégio, vi que, certamente não pela primeira vez, tentaram arrumar os mecanismos do Imposto de Renda, para citar um, no Brasil - isso entre 1961 e 64 com as Reformas de Base de João Goulart.

Devia era ter um bafômetro do impostômetro.

Deixando as injustiças sociais e financeiras de lado, as já explicitadas acima, me lembrei de outro fato: dentro do orçamento dos EUA, enquanto US$ 950 bi se destinam à área militar, apenas 120 bi são para a Saúde - isso depois de terem dobrado.

Pra mostrar que de podre, o mundo inteiro tem.


Comentário


bubulicious@estadao.com.br
Faltou mencionar que o nosso dinheiro tbem foi usado pelo governo Lula, p/ pagar a divida externa de Mocambique. Outros milhares p/ reconstrucao do Libano, os gastos mensais com a entidade mais corrupta do mundo: As Nacoes Unidas, alem do que e gasto com os programas de compra de voto e manutencao desse gigantesco cabide de emprego que e o governo federal, imperial, socialista do Brasil. A maioria da populacao nem sabe o que e pagar imposto. As pessoas nem sabem o quanto ganham, a maioria pensa que o que levam p/ casa no final do mes e o seu salario integral, nao sabem que 30% ja ficou retido pelo governo. E qdo compram qquer coisa o imposto ja esta sabiamente imbutido no preco. Onde esta a transparencia que deveria informar o cidadao comum o qto ele paga de imposto? Ha pessoas, as quais nao mostram interesse em politica, com essa atitude nao mostram interesse nas acoes de pessoas que controlam sua conta bancaria, sua liberdade pessoal e sua vida. Essa republica nao sobrevivera a negligencia continua do povo



Fontes: Estadao, G1(para saber também de um podre, só do trabalho em si), Uol Notícias, Ipea (o trabalho), Impostômetro



E você, que tem a dizer sobre isso?



26.6.09

Passando dessa para melhor

Tem gente que realmente curte bater as botas do jeito mais extravagante possível: enquanto Michael abala o mundo inteiro, mas ainda deixa Thriller nas nossas cabeças, há os que preferem um leve toque de elegância: pulando da Torre Eiffel. Sim, foi o que fez Sara, uma jovem de 17 da Costa do Marfim hoje, pulando de uma altura de 50 metros e caindo em cima de um restaurante (detalhe: olha a mania de perseguição, segundo o 'Daily Mail', na verdade a pessoa teria sido uma brasileira, fato que foi depois da publicação desmentido pelo consulado brasileiro em Paris). Também segundo o 'Daily', ela teria burlado a barreira de seguranças do segundo andar da torre e pulado a grade. Excentricidades à parte, o que chama a atenção é o que disse um porta-voz da torre ouvido pelo ''Daily'', que afirmou que o aumento da segurança fez com que o número de suicídios na torre caíssem para apenas quatro por ano. Quatro?!

Apesar de tudo isso, teríamos todos que seguir uma linha de raciocínio: morrer do modo mais ecológico possível (seria um grande gesto final para o mundo). Como? O melhor é a cremação, pois, de maneira certa, a queima libera só água e CO2 em pequenas quantidades, já que os resíduos tóxicos ficam retidos em filtros de ar, além de ser muito econômico fisicamente (uma pessoa de 70kg se transforma em 1 ou 2 de cinzas, enquanto que sob a terra a decomposição dura até 2 anos e deixar 13kg de ossos). Ainda tem várias outras medidas para deixar a coisa toda mais verde, no Mundo Estranho, como a distância que o corpo deve ficar após ser enterrado ou o fato de tirar o silicone por não ser biodegradável.

Além disso, dá pra deixar o corpo para estudos em faculdades de medicina (pessoalmente seria minha escolha) para ser usado por 5 anos e depois cremado. No Tibete, os corpos são colocados no alto de montanhas, esquartejados e viram comida de abutres. Por fim, na Suiça, uma empresa transforma o produto da cremação em diamante!

E você achando que dessa vida nada de leva ou que reciclar já era o suficiente...

20.6.09

Passe livre?

Foi derrubada nesta quarta-feira (17) pelo STF a exigência do diploma para se exercer a profissão de jornalista. Oito votos (Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello) contra um (Marco Aurélio Mello) atenderam a um recurso das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal (MPF).
Quais são os diferentes argumentos e o que isso significa no futuro?


Histórico
Começou em 2001 a disputa judicial sobre a constitucionalidade da exigência do diploma, quando a 16ª Vara Federal de São Paulo concedeu liminar (decisão provisória) que suspendeu a obrigatoriedade do diploma para a obtenção de registro profissional. Em 2005, antes de o caso chegar a instâncias superiores, foi recusada pela 4ª Turma do TRF-3. Apesar disso, em novembro de 2006, uma liminar concedida por Gilmar Mendes garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão sem possuírem graduação em jornalismo ou mesmo registro no Ministério do Trabalho.



A favor



Segundo Gilmar Mendes, o fato de um jornalista ser graduado não significa mais qualidade na área e sugeriu que os próprios meios de comunicação exerçam o mecanismo de controle de contratação de seus profissionais. Também afirmou que as faculdades não perderão a importância, pois prezarão pela qualidade do ensino ao futuros profissionais, tendo inclusive que se aprimorar, por causa da maior concorrência no mercado de trabalho. Coube uma comparação: “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”. Em relação a outras profissões, disse ainda: "Quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão".

De acordo com a A advogada do Sertesp, Tais Gasparian, “mais do que indesejável, a exigência do diploma para jornalistas é impraticável. Como se proibirá o exercício da disseminação da informação pela internet?” e disse não depende de qualificação técnica específica. “É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo de conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo”.

Contra



O único a votar pela exigência do diploma disse que qualquer profissão é passível de erro, mas que o exercício do jornalismo implica uma “salvaguarda”. “Penso que o jornalista deve ter uma formação básica que viabilize sua atividade profissional, que repercute na vida do cidadão em geral”.

João Roberto Egydio, advogado da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), argumentou que a exigência não impede ninguém de escrever em jornal. “Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas para exercer em período integral a profissão de jornalista”

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo: “É um golpe duríssimo na nossa profissão. São 40 anos jogados no lixo. Apesar do golpe profundo, não é uma sentença de morte”. Mas ironizou: “Felizmente, não nos proibiram de exercer o jornalismo no Brasil”, em referência ao fato de o Supremo "pelo menos ter deixado os jornalistas com diploma continuarem a exercer a profissão".

Professores e estudantes que defendem o diploma argumentam que é complicado alguém escrever sem a base aprendida na faculdade, como sociologia e psicologia e claro, a teoria. Além disso, são cidadãos críticos capazes de mostrar a realidade da forma mais imparcial possível, com um preparo humanístico, uma base cultural forte, para compreender o mundo atual. Também há os que acreditam que a decisão é um retrocesso e tenta banalizar o fazer jornalístico.

Quem gostou

O fato foi comemorado pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ): "A decisão consagra no direito o que já acontecia na prática. O número de profissionais era pequeno sem ser jornalista. A ANJ é a favor do curso de jornalismo, mas o que se discutia aqui era o diploma como pré-requisito". A associação afirma não ser contra o diploma, mas apenas considera que a exigência confronta com a liberdade de expressão, prevista na Constituição. Apesar da decisão, continuará orientando as empresas a contratarem jornalistas graduados e com diploma.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) também expressou sua satisfação pela mudança.


(exemplo de) Quem não gostou




Consequências


Apesar de o diploma não ser mais necessário, nenhum dos estudantes ouvidos pela Uol pensa em desistir da formação superior. Há os que dizem que a decisão não afetará o mercado de trabalho, mas o jornal terá a liberdade de chamar um especialistas em diploma de jornalismo para cobrir determinado assunto. Professores da área esperam que o fim da necessidade não signifique um maneira de baixar por meio do salário o piso da categoria e que as redações não se transformem em redutos de especialistas com chefes interessados em publicidade. Outros afirmam que, por causa da grande oferta de trabalho, o diploma será um diferencial. A concorrência pela qualidade também surgiria entre as faculdades, cada qual aperfeiçoando ao máximo os seus cursos, ao buscar corpo docente mais bem habilitado e o padrão de ensino mais eficiente, para arrebanhar alunos que queiram disputar empregos nos veículos de comunicação.


Minha visão


Muito romântica o que disse a Suprema Corte que o maior bem a ser tutelado não é o direito do jornalista de informar, mas sim o da sociedade de ser informada. Mas e a qualidade da informação? Não é certo dizer que alguém com o diploma seja melhor que algum especialista em outra área, mas essa pessoa certamente tem uma base muito mais ampla - afinal, passou quatro anos da vida estudando isso. Ela terá uma visão diferenciada dos fatos, saberá como pesquisar sobre o assunto, fazer as perguntas certas ao entrevistado e ter uma noção ética - ao menos, a probabilidade será muito maior. No mais, viva a democracia.
Apesar disso, não consigo dizer com 100% de certeza qual seria meu voto se estivesse eu lá no Supremo. Afinal, eu mesma, neste simplório blog, estou exercendo uma função jornalística: passando informação. A diferença, no meu ver, é que esse será muito melhor daqui a uns cinco anos, quando eu - se os céus me permitirem - estiver saindo da faculdade. Porque não adianta ter o conhecimento ou opinião de algo, é necessário saber como transmiti-lo, algo que se aprende com mais profundidade na faculdade.
Portanto estou, na medida mais básica, indiferente à decisão. Se eu chegar um dia numa entrevista de trabalho e perder a posição para alguém sem o diploma, paciência; essa pessoa aparentemente é melhor que eu para aquele lugar. Mas o mesmo poderia ocorrer com alguém formado perdendo para alguém também formado - o que estou querendo dizer, o resultado dependerá mais da capacidade da pessoa; como ela arranja isso é simplesmente pessoal. Só não acho justo haver essa quebra de regulamentação somente com o jornalismo. Agora, que com anos estudando, a tarefa deve ser mais fácil, com certeza. Também porque, no fim, é o redator-chefe ou alguém "lá em cima" que vai escolher quem vai passar ou não, a única diferença agora é que não precisa mais do "passaporte" para ser uma opção.


Fontes: G1, Estadão, Folha


E você, que tem a dizer sobre isso?
* Você acha os posts muito longos, ou isso vale a pena pela profundidade dos fatos?*

13.6.09

"Livres e saudáveis"

Ontem foi realizada a décima eleição do Irã, quando 46,2 milhões saíram para mostrar sua voz. Ou não, pois, segundo o candidato que perdeu, foi fraudulenta. E aí, o ex-presidente vai continuar por mais 4 anos e o que isso representará para o país e o resto do mundo?

Quem eram os candidatos? (ver em sentido horário)

Mahmud Ahmadinejad
O mesmo ultraconservador de meia-idade que recusou a visita ao Brasil semanas atrás é o símbolo do extremismo iraniano para o Ocidente. Após se tornar presidente teve que deixar um modesto apartamento herdado do pai há 40 anos num bairro popular de Teerã, cidade que governou entre 2003 e 2005. Seu único carro particular é um Peugeot 504 branco de 1977, e a renda declarada à Receita se resume aos US$ 250 mensais recebidos como professor universitário licenciado --ele abriu mão do salário a que teria direito como presidente. Entre seus maiores orgulhos estão a carreira de engenheiro civil a serviço dos aiatolás e o fato de ter nascido numa aldeia pobre. Além disso é um populista com amplo apoio do povo [enquanto é apoiado por militares e ala pobre, enriqueceu outros segmentos da população - é só ver as concessionárias de carros de alto preço e as lojas de luxo que abriram durante seu mandato).

Contrapondo essa imagem angelical, estão os fatos de ter, em abril, acusado Israel de promover genocídio e limpeza étnica contra palestinos, dois dias após classificar o Estado hebraico de racista e promover protestos em uma conferência da ONU, além de, claro, ter negado o holocausto. Os dados do país também não são lá aquela beleza: há um desemprego de 12,5% na PEA (sem contar o empregos redundantes e o subemprego) dos 66 milhões de habitantes, inflação de 25% (paga-se agora 60 mil riais o quilo de carne, em vez dos 40 mil que pagava-se há um ano) e renda per capita de US$ 3.540 (2008). Segundo o Fundo Monetário Internacional, o crescimento previsto para 2009 será de 3,2%, contra 4,5% em 2008 e quase 8% em 2007 (precisaria criar entre 700 mil e 800 mil empregos por ano para os jovens que chegam ao mercado de trabalho, o que exige um crescimento entre 6% e 8% - a solução seria incentivar os investimentos estrangeiros, algo que ele tornou muito difícil.Há também os que o acusam de não ter utilizado bem da posição de 4' produtor e exportador mundial de petróleo, além de ser aquele espinho em relação ao enriquecimento de urânio e desenvolvimento da tecnologia nuclear (a Agência Internacional de Energia Atômica relatou que, até o final de maio, o Irã havia construído e instalado 7.200 centrífugas - mecanismos para enriquecimento de urânio - e estava aumentando seu estoque de combustível nuclear mais rápido do que nunca).


Mir Houssein Mousavi
Um conservador moderado de quase 70 anos que quer mudar a imagem extremista do país, mas defende o programa nuclear - que, segundo ele, seria usado apenas para questões energéticas. Como é partidário da liberalização, tem apoio dos jovens e parte das mulheres. Ademais, é arquiteto e defensor das liberdades individuais e fez campanha ao lado da mulher, o que nunca aconteceu antes no país islâmico. EUA, embora com relações cortadas a 30 anos, considera que o diálogo entre os dois países seria mais fácil com a vitória dele.
Mohsen Rezai
Economista conservador de mais de 54 anos favorável à abertura de relações com o Ocidente e que promete reorganizar o país.


Mehdi Karroubi
Reformista de mais de 70 anos que prega o diálogo com o Ocidente e quer liberalizar a sociedade e economia.

* Consideremos que outros 475 tiveram as candidaturas rejeitadas pelo Conselho dos Guardiães da Constituição, que decide quem pode ou não concorrer.

Campanhas

Ahmadinejad era considerado imbatível até o início da campanha (apoiado pela zona rural, setores conservadores e os que votam em bloco, como o Exército e a Guarda Revolucionária), mas uma grande mobilização em torno de Mousavi (jovens, mulheres e povo urbano) embaralhou o processo de sucessão.
Os dois principais opositores fizeram uma campanha agressiva, com acusações mútuas de manipulação de dados. Em um inédito debate, assistido por mais de 40 milhões de pessoas, Mousavi disse que o presidente mentia sobre os dados da economia para esconder a inflação resultante do que chamou de incompetência para administrar o país. Ahmadinejad reagiu e disse que os aliados do opositor -como o ex-presidente Akbar Rafsanjani- enriqueceram por meio da corrupção.

As eleições de fato
As constantes alfinetadas aparentemente de nada serviram, já que Mahmoud foi reeleito com 62,6% dos votos, contra 33,8% de Mousavi, 1,7% de Mohsen Rezai, e 0,9% de Mehdi Karroubi, de acordo com os resultados oficiais divulgados pelo Ministério do Interior do Irã.
Quem foi contra

Logo após a divulgação dos números finais começaram as manifestações. Os confrontos no centro de Teerã foram os mais sérios distúrbios na capital desde o protesto de estudantes contrários ao regime em 1999 e demonstraram um descontentamento com a eleição que pode gerar ainda mais violência. Partidários do reformista Mousavi, muitos usando o símbolo verde da campanha dele, lotaram as ruas para protestar, jogar pedras e incendiar carros e gritar "o governo mente para o povo" ou "Ahmadinejad, vergonha para você. Deixe o governo em paz". Houve confronto com a polícia antimotim, que agiu com violência para conter os manifestantes, usando bastões e gás lacrimogênio. À noite, os protestos se intensificaram depois de um discurso do presidente reeleito, com latas de lixo incendiadas e usadas para bloquear as ruas.


Enquanto aconteciam as revoltas, a associação de clérigos islâmicos da qual faz parte o ex-presidente reformista iraniano Mohammad Khatami (1997-2005) pediu a anulação da votação e a realização de uma nova eleição.



O Comitê para Proteger o Voto do Povo, criado pelos três candidatos de oposição, disse que não aceitará os resultados, alegando fraudes e irregularidades, falta de cédulas, o fato de que milhões de eleitores não puderam votar e que os fiscais de seu partido não tiveram acesso a todos os locais de votação (mais de 40% dos colégios da capital ficaram sem observadores).

Mousavi afirmou que o resultado põe em perigo os pilares da República Islâmica e leva o Irã em direção à tirania e que chegou a receber um telefonema da comissão eleitoral, informando que ele é que havia vencido, mas menos de uma hora depois, divulgava que Ahmadinejad aparecia na frente. Os partidários da oposição também estranharam a rapidez da apuração, ainda mais levando em conta o alto comparecimento ,de 85%. Há ainda informações, ainda não confirmadas, de que o candidato derrotado Mir Houssein Mousavi teria sido preso a caminho da casa do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Em Israel, o ministro das relações exteriores, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, disse que, agora, o mundo tem que encontrar um jeito de parar a corrida iraniana pela fabricação de armas nucleares.

Quanto aos mais otimistas nos EUA: "Por causa da pressão pública, pode ser que Ahmadinejad queira reduzir o isolamento do Irã", disse um oficial sênior "Isso também pode fazer com que o engajamento aconteça mais rapidamente","No fim das contas, existe uma necessidade de estabelecer o diálogo" e "Com certeza daríamos tempo a eles, desde que eles não se apropriassem desse tempo dando continuidade a seu programa nuclear."

Quem foi a favor

Para o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, não há dúvidas: Ahmadinejad é o vencedor. Pediu a população para que se una em torno de Ahmadinejad, disse que o resultado foi um "julgamento divino", elogiou a alta participaço nos votos deeu ordens para que os opositores acatassem o resultado.

Ahmadinejad rejeitou as acusações de fraude, agradeceu os eleitores por terem dado a ele uma "grande vitória" e disse que as eleições foram "completamente livres" e que o povo quer justiça, desenvolvimento, o fim da corrupção e que o nome de seu país seja respeitado.
Acusou a imprensa estrangeira e "elementos dentro do Irã" de mentirem e orquestrarem uma campanha de "guerra psicológica" e clima de instabilidade contra o povo iraniano durante a eleição. "Inimigos podem querer estragar a doçura deste evento com algum tipo de provocação mal-intencionada", disse.

O ministro do Interior, Sadeq Mahsouli, afirmou que qualquer manifestação precisa de permissão oficial, e nenhum tipo de permissão foi dado até agora.

Asterisco

O Facebook, meio de mobilização de Mousavi, foi bloqueado pela terceira vez no sábado, após ter acontecido o mesmo um dia antes do início da campanha, quando mais de cinco mil pessoas já haviam confirmado apoio a Mousavi pelo site. A rede voltou ao ar depois de Mahmoud ter sido questionado sobre o bloqueio. Além disso, mesmo que as ligações por celular estivessem difíceis no sábado, os SMS foram fundamentais para reunir os seguidores dele. Apesar disso, o serviço foi bloqueado depois que protestos se espalharam pela cidade e após as 22h a rede de telefonia móvel, controlada pelo Estado, suspendeu o sinal dos celulares em Teerã. Além disso, um jornal de oposição foi fechado e o site da BBC também parece ter sido bloqueado pelo governo iraniano.

Minha opinião
Sou contra qualquert tipo de governo conservador e baseado na religião, e minha posição quanto à vitória de Mahmoud é simples. Mas o que me surpreende é o tamanho ínfimo dos votos aos outros dois candidatos que não Ahmadinejad ou Mousavi, ou seja, os mais reformistas. Se a diferença foi tão absurda, existem então duas opções: ou as eleições foram abominavelmente fraudadas (o que não acho difícil de acreditar, mas não posso afirmar), ou o povo iraniano literalmente pediu por mais quatro anos do presidente no trono.

E você, que tem a dizer sobre isso?

8.6.09

Dois pra lá, dois pra cá



"Segundo a declaração do Min. da Fazenda, Guido Mantega, o preço do óleo diesel irá diminuir em 9,6%." Quando li isso, não pensei em nada de mais, mas na minha pobre ignorância descobri ao continuar a matéria que muito mais rola por trás de um resultado desse.




Gasolina

Para começar, houve também uma redução de 4,5% na gasolina, mas essa mudança não chegará ao consumidor final porque é compensada pelo aumento de R$ o,o5 na Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) - mais um amigo do bolso que eu não conhecia. A idéia é que a Cide seja recomposta na mesma proporção que o preço cai, para que no fim dê na mesma (ano passado aconteceu o contrário, o preço subiu e a Cide caiu).


Diesel

Agora, quanto ao diesel, a Cide também aumentou para compensar a queda nos preços, mas o desconto foi maior e as tais mudanças vão chegar ao bolso final. De quanto estamos falando? 9,6%. Oh! Mas poderia ser maior, porque:

1. embora tenha caído em 15% o preço do diesel, aumentou R$ o,o4 da Cide, o que resulta numa queda total de 10,5%

2. mas ainda há a mistura com biodiesel (viva!), que daria um aumento no custo em 3 ou 4%, o que chega ao resultado final de 9,6%.


Por que existem esses reajustes?

É de acordo com o preço do barril de petróleo (última cotação = US$ 68), que vem caindo no geral (mesmo esteja subindo gradativamente) - e ainda câmbio e preço do petróleo no futuro, perspectivas da gasolina no mercado internacional, etc.


Consequências

Segundo Mantega, haverá impacto na agricultura e transporte, redução do custo para esse setor e, portanto, a redução da inflação prevista para o futuro, além de - cof cof - mais recursos para o Estado e municípios pelo aumento na Cide.


Asterisco

Achei interessante o comentário de um alguém na página do Estadao - se um dia eu tiver tanta convicção quanto esse cara aparente ter, taria é satisfeita.


"Pra pagar Petista em cargo apadrinhado, jatinho de líder do MST através de enormes doações para "ONGs", pagar a propagada e o marketing do emPACado e a propaganda eleitoral fora de época da Dilma, pagar a verba de "publicidade" para o jornalismo de aluguel que vive de dinheiro público como Carta Capital, pagar "ajuda terno" para Ministros/Senadores/Deputados, pagar salário de atendente do INSS que vai lhe deixar morrendo na fila quando você completar 65 anos e lhe dar o pior atendimento possível... e assim vai. Moral da história: metade do dinheiro do seu trabalho vai para sustentar vagabundo ligado com algum partido, principalmente o PT que adora isso. O nome dessa piada é "republica sindical", o sonho de todo petista. "

Fonte: Uol Notícias, Estadão

E você, que tem a dizer sobre isso?




7.6.09

"Só sigui im frenti, dotô!"


Porque vale mais a pena rir do que chorar:
(fotos enviadas por email, bem como as legendas. A a autoria é - infelizmente - desconhecida)


Bem-vindo à ilha de "Lost"




Ou com legendas em "protuguêis"




Isso nas Lojas Americanas...



Não, obrigado.





SAP: "Sinuca"





Só faltou o "Ai-Pode"







Exclusivo para cliente condecorados



Faz sentido. Se seguir em frente, você corre o risco de ficar desempregado. Se der meia volta, pode virar presidente da república.



Nos sabores manga, graviola e maracujá.





Não critiquem o hotel pela desconfiança. Pelo nível do aviso, que tipo de hóspede vocês acham que eles têm por lá?


Asterisco


'O índice de analfabetismo cai em ritmo mais lento que em outros países latino-americanos'

As campanhas de alfabetização, ao estilo do Programa Alfabetização Solidária, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, ou o Brasil Alfabetizado, na de Luiz Inácio Lula da Silva, têm frustrado expectativas: o índice de analfabetismo no País continua caindo em ritmo mais lento do que em outros países latino-americanos.

Em 2007, o índice de analfabetismo entre pessoas com 15 anos no Brasil chegou a 10%, o correspondente a 14 milhões de pessoas, o que nos deixa na segunda pior posição do subcontinente.

Felizmente, a atual gestão do governo federal foi exigente com a avaliação das próprias políticas. Um conjunto de estudos empreendidos pelo MEC evidenciaram que uma dificuldade importante dos programas de alfabetização é a focalização do público alvo: cerca de 40% dos participantes do Brasil Alfabetizado já iniciam o curso sabendo ler e escrever e os que entram de fato analfabetos não chegam a se alfabetizar nos oito meses de duração do programa. Isso explica porque, nas Pesquisas Nacional por Amostra de Domicílios, em torno de 60% das pessoas cuja escolaridade se limita a um curso desse tipo continua se declarando analfabeta.

Além das dificuldades de atender ao segmento social mais excluído, onde se concentra o problema do analfabetismo absoluto, o País enfrenta o analfabetismo funcional. Segundo o INAF, indicador baseado no teste direto de habilidades, dos brasileiros entre 15 e 54 anos, apenas 28% têm um nível de alfabetismo pleno (esperado para o final do ensino obrigatório).

Diante de tantas evidências, é hora de radicalizar as mudanças de enfoque das políticas. É preciso apostar mais no papel alfabetizador da escola, fazendo campanhas para que as redes municipais ampliem o atendimento na Educação para Jovens e Adultos (EJA), onde se pode alfabetizar com flexibilidade curricular. Paralelamente, é preciso investir maciçamente na educação popular, na formação de agentes comunitários ou nas iniciativas de economia solidária, de modo a concretizar também para os mais pobres a necessidade e o desejo de aprender mais para ter uma vida melhor.

Fonte: Estadão - Aliás

E você, que tem a dizer sobre isso?

4.6.09

Hic² Rosa






A partir de vários estudos aqui e no mundo foi concluído que as meninas nunca beberam tanto e com tanta freqüência quanto agora. Alem disso, estão quase chegando aos garotos, já que , enquanto um terço delas adolescentes já bebem, nos meninos o número é pouco maior.
Existem motivos para tais conclusões? Sim, e vários. Em termos históricos, a emancipação feminina de poucas décadas para cá fez com que as mulheres quisessem se igualar aos homens, inclusive na bebida. Atrele isso à crescente publicidade de bebida (que só no Brasil rende 600 milhões de reais anuais) para mulheres e ainda aos fatores psicológicos exclusivos delas (bebem para aplacar a tristeza, enquanto homens buscam a diversão) e pronto: já é o suficiente para até atrizes e cantoras aparecerem indecentemente bêbadas.
Em certos países o fenômeno já tomou outras proporções. Na Inglaterra, onde álcool é três vezes mais consumido que na Itália, as adolescentes já bebem mais que os garotos. Um terço das acima dos 14 bebe toda semana e um quarto provou drogas. Essa geração “ladette” (“machinha”) também resulta em violência: nos últimos três anos, aumentaram em 25% as queixas nas delegacias de meninas teens. Até mesmo problemas mentais decorrentes do álcool entram na parada: de 2001 para cá, aumentaram em 25% as internações em hospitais por esse motivo. Outro caso é a Rússia, onde o alcoolismo atinge 10% da população e 60% dos que buscam tratamento são mulheres.
Os perfis de alcoólatras também variam. Nos EUA, onde um terço de todas as meninas já experimentou um “girlie drink”, o maior fator para a dependência passou da menopausa para o estresse no trabalho. Já aqui no Brasil, onde 13% doas adolescentes bebe pelo menos um vez por semana, existem dois perfis: as acima de 40 anos com casamento desfeito e as mais jovens, que associam o álcool às drogas.
E é justamente essa fácil porta de entrada para outras substâncias que é preocupante, porque, por natureza, a mulher fica bêbada mais rápido e com menos bebida do que os homens, o que significa um atalho para a maconha, crack e por aí vai. Até mesmo a Biologia explica isso, em três razões: como tem menos água corporal, a concentração sanguínea de álcool é maior; produzem menos a enzima que metaboliza o álcool no estômago; e, para piorar à medida que a mulher continua bebendo, o corpo produz menos essa enzima e assim aumenta a concentração no sangue mesmo sem aumentar a quantidade de bebida.
Portanto, problemas associados ao álcool aparecem mais cedo e mais graves nas mulheres, desde gastrite e problemas cardíacos até neurológicos e cognitivos, incluindo demência. Talvez sabendo dessas conseqüências, o consumo precoce e exagerado possa ser evitado e não termos mais Amys e Lindsays como exemplos por aí.
Será que propagandas com homens gostosos e mulheres na mesa estão por vir?


E você, que tem a dizer sobre isso?

1.6.09

O Casamento


Nunca vi CQC na TV, embora saiba que seja muito engraçado - e o melhor, as piadas não são superficiais; muito pelo contrário, abordam temas relevantes para nós, tipo a incompetência dos nossos amigos políticos. É o perfeito casamento entre riso e verdade. Foi sobre isso a coluna de Danilo Gentili no jornal Metro, que está lindamente copiada aqui embaixo:

A coluna invertebrada de
EU SOU UM VEADO!
danilo.gentili@metrojornal.com.br


O deputado Sérgio Moraes, aquele que pouco se lixa
para a opinião pública, é condenado em primeira
instância por lenocínio (esse crime constitui na
exploração da mãe de alguns políticos).
Além disso, também é acusado de agressão,
receptação de joias roubadas e até mesmo de usar
dinheiro público para ligar pra tele-sexo. São tantas
acusações que eu acho que o PCC teria medo de eleger
esse cara como representante.
Eu fui falar com essa excelentíssima figura na última
semana em Brasília, e os argumentos que ele me deu
para todas minhas perguntas foram: “Você é veado” e
“Já vi você comendo veado”. A comunidade gay se
reuniu na última sexta e intimou o deputado a dar
explicações sobre esses termos. É impressão minha ou
os gays se ofenderam porque foram xingados de Danilo?
O deputado valentão foi chorar pro presidente da
Câmara, Michel Temer, pra ele proibir nossa entrada (do
CQC). Ele disse que devo ser barrado no Congresso, pois
tento desmoralizar os deputados da casa. Mas, veja bem,
se todo mundo que desmoralizar a casa não puder mais
entrar lá, onde os deputados vão se reunir pra
“trabalhar”?
Enfim, escrevi isso só pra agradecer todos vocês
eleitores que votaram em Sérgio Moraes e em outros
semelhantes. Obrigado mesmo! De coração! Ano que
vem tá aí e tem eleições de novo. Fiquei sabendo que o
Jack Stripador vai se candidatar. Conto com vocês, hein!



Quem quiser entender
porque alguém que
pouco se lixa quer barrar
nossa entrada é só
mandar um e-mail para:
dep.sergiomoraes@
camara.gov.br ou pro
presidente da Câmara
dep.micheltemer@
camara.gov.br.




RÁPIDAS E R A S T E I R A S

NO SUVACO: O Corinthians estampou a marca do novo
patrocinador, o desodorante “Avanço”, nas axilas das camisas.
Se a Johnson quiser patrocinar o time, vão estampar K-Y onde?
Atrás do shorts do Ronaldo?

NA LARICA: Marcello Antony disse pra Mônica Bergamo que
“Brasil não está pronto para discutir as drogas”. E tá certo ele. Se
do jeito que está um monte de gente já toma tiro por causa disso,
imagina se começarem a discutir.

NO AR: TAM deixa 21 feridos durante turbulência.
Reparou que é sempre com a TAM que rola os acidentes?
A frota da TAM pelo visto não tem jatos FOKKER
e sim FUCKER.

DANILO GENTILI
é comediante stand-up e repórter do programa CQC da Band.
Fonte:Metro
*Agora, quer rir de verdade? Procure no Youtube por Improvável - além de ver do que o ser humano é capaz na improvisação, é a melhor coisa pra se fazer naquela festinha bodiada... garantido!