30.7.09

Réguas e Espiões

Duas pessoas, Peter Dodds e Chris Danforth, um matemático e um cientista da computação da Universidade de Vermont, brincaram de garimpeiros e descobriram um modo para medir escondido a felicidade - ao menos dos usuários da Internet pelo mundo.

Então, como eles chegaram à conclusão que a eleição de Obama e a morte de Michael foram o mais feliz e triste dia para o mundo online? Simplesmente reuniram 10 milhões de frases tipo "Eu sinto..."em 2,3 milhões de blogs e, usando uma escala de notas 1-9 em felicidade para cada palavra - exemplo: "paraíso" vale 8,72; "panqueca" 6,08 (!); "suicídio" 1,25 - (1034 palavras no total), criaram a primeira régua da felicidade.

Hm... e pra quê isso serve? Pode parecer ridículo (ainda mais quando sabemos do fato que existe o “Journal of Happiness Studies”, no qual foi publicado o estudo), mas este é mais um exemplo da espionagem virtual, algo que sequer percebemos. Esses caras, de posse do original site wefeelfine.com, recolhem ter informações diferenciadas sobre uma parcela da população em certo lugar e época e comparar com outros tipos, desenvolvendo um banco de dados gigante. O método ainda pode ser aplicado a letras de músicas, discursos presidenciais e ao Twitter - ou seja, não tem fim.
Algo parecido é feito pelo Google, que rastreia seu site de buscas, lista o que você vê no Youtube e escreve no Blogger (!) e por aí vai.

Muitos podem então pensar: "Por que que alguém se daria o trabalho de investigar em que site entro ou se gosto de ver vídeos pornôs?". Bom, confesso que eu mesma não tenho embasamento para dizer algo concreto, mas acredito que a Informação é uma ferramenta poderosa quando se trata de manipulação de de tendências ou vendas de produtos - e aí entram os destacados acima.

No fim das contas, que podemos fazer? Basicamente, nada. Privacidade está se tornando bem escasso (a Folha inclusive publicou: na capital paulista existem 600 mil câmeras , ou seja, 1 para cada 16 pessoas). Com os sites de relacionamento e o adventos dos celulares conectados à internet, a publicação da própria-imagem fica ainda mais expandida. Apesar disso, nada é na minha opinião motivo de desespero. Desde que medidas óbvias como não publicar endereços sejam tomadas, essa "privacidade pública" se tornará algo tão comum quanto as câmeras de segurança já são - ou vai dizer que você não gosta da sensação de "proteção"? Quanto ao mundo virtual, primeiro que a ele só se submetem os que querem; e segundo, é uma consequência inevitável e o preço a se pagar pelo acesso que cada um tem ao entrar na rede. Nos adaptaremos.


Detalhe: do mesmo co-idealizador do WeFeelFine, Jonathan Harris, outras idéias originais e ligeiramente assombrosas estão no site dele (
http://www.number27.org/), como uma série de milhares de fotos que retratam a caça às baleias durante o tempo que ele ficou no Alasca, uma tentativa em 2006 para criar a impressão digital daquele ano, um site de troca-troca de perguntas e respostas e outros que categorizam o que está sendo mais escrito, visto e comentado na internet.


Viajei demais nesse post?

Etc: G1



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