7.8.09

Entre bem-vindos e pés na bunda

Digo-lhes o seguinte: a atual taxa de desempregro dos EUA é 9,4%, enquanto que a do Brasil é 8,1%. Aparentemente, 1 x 0 Brasil. Mas olhem como há mais por trás do pano:

EUA

Depois de 9 meses consecutivos de alta, a taxa de desemprego finalmente caiu por lá: apenas 0,1 pontos percentuais, mas ainda assim uma queda. O número de pessoas então ficou em 14,5 milhões (considerando que desde dezembro do ano retrasado, 6,7 milhões entraram no bolo). Na verdade, foi a primeira queda desde abril de 2008, quando era de apenas 5%. Em outros números, em julho foram fechados 247 mil postos de trabalho, enquanto que em junho foram 467 mil.
Os setores em que houve cortes foram construção, manufaturas e varejo, nesta ordem; enquanto que o de automobilística cresceu (olha só!)

Detalhe: Esses números são relativos. Porque o número só caiu pelo fato de menos pessoas estarem procurando trabalho, ou seja, em julho, 2,3 milhões queriam um, mas como não procuraram, não foram computadas - só não sei como é que eles chegaram a esse valor, algum tipo de censo? Mas enfim, o fato é: será que a queda foi realmente dessa dimensão?

Brasil

Por aqui, as notícias são ruins. O emprego na indústria caiu 0,1% em relação a maio, acumulando uma queda de 5,1% e.r.m.p. (quer dizer em relação ao mesmo período de - estou tentanto difundir essa abreviação prática) de 2008. Por um lado foi a nona queda consecutiva, mas por outro foi a menor em oito meses.

SP e MG, que representam quase a metade do povo nas indústrias, tiveram queda de 4,6% e 11% entre junhos, respectivamente. Enquanto o número em SP foi puxado pela queda em meios de transporte e produtos de metal, MG sofreu pelos setores de vestuário e têxtil (os dois primeiros com queda de 13% e os últimos com 25%, em média).

No quadro nacional, os setores mais afetados foram, em ordem de queda entre 11,7% e 10,6%: calçados e artigos de couro, meios de transporte, produtos de metal, e máquinas e equipamentos.

Conclusão: o que os montes de cifra querem dizer?
Algo óbvio e simples: ninguém deve se basear em um número isolado, mas se atentar aos que ficam disfarçados, principalmente no instável universo econômico em crise.

Etc: G1 (EUA, Br#1, Br#2)

Nenhum comentário:

Postar um comentário