No Rio de Janeiro, mihares de bicicletas se juntaram no "Um dia sem carros", um evento que infelizmente não ocorre em São Paulo (ok, temos as ciclovias que ligam alguns parques da cidade, mas apenas das 9h ao meio dia de domingos). Enfim, com sorte a manifestação dos 4,5 mil cariocas acima fará ainda mais sentido depois de algumas medidas do governo, a ver:- mais imediata e localizada:
Para combater a superlotação em escadas rolantes do metrô de São Paulo, as próximas serão entre 15% e 50% mais velozes que as atuais. Na verdade já está valendo na estação Alto do Ipiranga, estará incorporada para a linha 2 - verde (paulista) e no futuro atingirá toda a malha. Pode parecer insignificante, mas a mudança de 0,5 ou 0,65 m/s para o,75 m/s fará diferença na retirada dos passageiros e será um pequeno bônus para se usar o transporte público.
- mais demorada e ampla:
o Brasil seguirá a tendência mundial de dar novo fôlego ao setor ferroviário. Nos próximos 5 anos, o país usará R$ 71 bilhões (saindo dos cofres federais, estaduais e privados) em projetos de metrô, trens urbanos, ferrovias de carga e veículos leves sobre trilhos (VLT). Em especial, R$ 25 bilhões vão para a expansão do transporte de carga, incluindo a conclusão das Ferrovias Norte-Sul, Nova Transnordestina, Litorânea Sul e Oeste-Leste, além da expansão de Carajás, Vitória-Minas e Ferronorte. Detalhe: o valor total é 270% maior que os recursos aplicados entre 2004 e 2008!
É uma tentativa de voltar aos anos áureos da década de 50, quando a malha ferroviária chegou a 37 mil km. De lá para cá, ao invés de crescer, a extensão diminuiu (devido ao foco rodoviário, por exemplo) e hoje são apenas 30 mil km. Portanto, se os empreendimentos saírem do papel, o número subiria para 35 mil em 2015 e atingiria 52 mil até 2030, o ideal para cobrir o país.
A situação atual do transporte ferroviário brasileiro é triste: além de pouco extensas, as linhas não tem bitolas padronizadas, por terem sido construídas em períodos diferentes e consequentemente é difícil a integração das vias; estão mal distribuídas - 52% só no Sudeste do total, apenas 2450 km são eletrificados; a única linha de passageiros com serviços diários de longa distância e conforto é a Belo Horizonte - Vitória, sem contar os exclusivamente turísticos no Sul; e nem se comparam os mapas de ferrovias nossos com os do EUA ou Argentina.
Nos últimos meses, para amenizar os efeitos da crise financeira e criar novos postos de trabalho, países como Estados Unidos, China, Índia e algumas nações da Europa lançaram pacotes bilionários para ampliar o transporte sobre trilhos, de carga ou de passageiros.
Em paralelo também entram aí a grandes diferenças nesses países, como a existência de pedágio urbano - mais aí já é outra história.
Enfim, será que os ciclistas lá em cima vão ter algo em retorno?
Etc: Uol, G1

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