20.10.09

Com a foice na mão

Para quem pensava que a crise afetava só indústrias, Bolsas e PIBs, atenção! Um estudo norteamericano provou, sem melosamente apelar para o direito à vida, por que agora, mais do que nunca, é necessário abolir a pena de morte.

Se isso é desconcertante, os números-argumento do estudo são ainda mais: o governo dos EUA poderia economizar - pasmem - US$ 25 milhões por criminoso executado! O Centro de Informação da Pena de Morte chegou a essa conclusão em relatório publicado hoje e defende que a pena não só é um desperdício, como também não é garantia de redução da criminalidade.

Quanto ao dinheiro, o valor ultrapassaria o acima, chegando até 100 milhões, ao se considerar os vários anos de processo na justiça e os atuais 3297 presos na fila de espera. A Califórnia, por exemplo, gasta US$137 milhões por ano com isso e não realizou uma execução em quase quatro anos. E US$ 250 milhões do condado de West Orange já foram ralo abaixo sem trazer resultados positivos.

Apesar disso, 65% dos norteamericanos apoiam a sentença para punir os criminosos mais perigosos; tanto é que em 35 dos 50 Estados a pena é legalizada.

Por outro lado, o índice caiu bastante desde 1976, quando era de 80%, e apenas 12 Estados fazem uso frequente da lei. Onze outros reconsideraram-na este ano, principalmente por causa do - tcharam! - alto custo da implementação. O Novo México deu tchau à pena em março, o Colorado chegou perto e New Hampshire a suspendeu por um mês para economizar. Por fim, a taxa de assassinatos caiu em Nova Jersey após a abolição ano retrasado.

*A pena de morte foi restabelecida pela Corte Suprema dos EUA em 1976 e desde então foram executados 1.176 condenados, 441 deles no estado do Texas.

Detalhe: quem dera se essa pesquisa tivesse sido exposta ano passado, quando o número de presos executados foi o dobro do em 2007: 2390, além de outros 8864 condenadas em 52 países. E adivinhem onde foi a maioria: na China (mas isso já merece outro post).

HA! E no meio dessa história toda, o acusado de estupro e assassinato Romell Broom realizou a façanha de, 25 anos após o crime, conseguir sobreviver a 18 injeções letais! Isso porque os médicos não conseguiam achar a veia, daí pega o outro braço, tenta a perna, e depois de 29 minutos desistem. Agora o problema é o que fazer com o cara, que ou vai de novo para a execução, ou segue para a prisão perpétua ou, por esforço dos advogados, é libertado - afinal, a Constituição foi violada, uma vez que a morte, que era para ser rápida e indolor, foi transformada em uma sessão de tortura (sem contar que a Suprema Corte tinha concluído recentemente, por sete votos a dois, que a injeção letal é uma forma humana de se matar um criminoso). Broom não foi único a sobreviver: em 1946, um assassino de 17 anos resistiu a um choque de 2,5 mil volts na cadeira elétrica - e só foi morto um ano depois.

G1, Último Segundo, Fantástico

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